Capítulo 3 — Departamento de Recursos Artificiais

Currículo e background

Quando estamos recrutando um recursos humano, o que fazemos?

Analisamos seu currículo, certo?

Olhamos sua formação acadêmica, as instituições onde estudou, seus anos de experiência no mercado.

Tudo isso nos ajuda a entender se aquela pessoa tem o conhecimento e as habilidades necessárias para a vaga.

Agora, quando se trata de Agentes IA, o processo é bem diferente.

Nós não olhamos currículos.

Nós criamos currículos.

Nós definimos cada detalhe da formação e experiência dos nossos Agentes.

Podemos dizer que um Agente estudou Direito na Universidade XYZ.

Podemos dizer que ele tem 10 anos de experiência em contratos internacionais.

Podemos até dizer que ele trabalhou nos maiores escritórios de advocacia do país.

E aqui está a parte interessante: mesmo que esse background seja “inventado”, ele molda a forma como o Agente pensa e age.

Um Agente com um currículo de advogado vai se comportar como um advogado.

Ele vai analisar problemas do ponto de vista jurídico.

Ele vai citar leis e precedentes relevantes.

Ele vai escrever e falar como um advogado.

É como se estivéssemos dirigindo um ator para interpretar um papel específico.

O ator pode não ter realmente vivido aquelas experiências, mas ele interpreta o personagem de forma convincente.

Da mesma forma, um Agente IA pode não ter realmente frequentado a faculdade de Direito, mas ele age com base no conhecimento e nas habilidades que associamos a essa formação.

É importante notar que isso não adiciona novos conhecimentos ao Agente.

Se houver algo que é ensinado na faculdade de Direito, mas que não está presente no modelo de linguagem que o Agente usa, ele não vai magicamente aprender isso apenas porque dissemos que ele se formou em Direito.

Para adicionar novos conhecimentos, precisaríamos treinar o Agente, algo que discutiremos mais adiante no tópico sobre Aprendizado.

Mas mesmo sem adicionar novos conhecimentos, definir o currículo de um Agente IA nos permite moldar seu comportamento de formas poderosas.

Podemos transformar um modelo de linguagem generalista, que sabe um pouco sobre tudo, em um especialista focado em uma área específica.

Podemos fazer com que o Agente não apenas saiba sobre um assunto, mas aja como alguém imerso naquele campo.

Isso nos permite criar Agentes que não apenas fornecem informações relevantes, mas que realmente entendem e navegam os problemas da forma como um especialista humano faria.

É um nível de personalização e especialização que seria muito difícil, se não impossível, de alcançar apenas contratando humanos com base em seus currículos.

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