O que NÃO é IA?
Ao longo dos meus projetos e consultorias de inteligência artificial, nos quais tive que atender muitas pessoas que não dominavam o tema, eu percebi uma coisa:
É sempre melhor começar explicando o que não é inteligência artificial.
Porque, na prática, muitas pessoas já chegam com conceitos prontos que, na verdade, estão errados.
E isso certamente acaba mais atrapalhando do que ajudando.
Principalmente a confusão entre inteligência artificial e automação.
Vou então te explicar a diferença entre inteligência artificial e automação de uma forma muito simples.
Eu não vou te falar que automação é aquilo que você faz em Python, ou que inteligência artificial é aquilo que você faz com redes neurais.
Eu vou te explicar de uma forma prática, focando no que realmente importa: o resultado.
Existe um conceito aqui, que tem um nome meio feio, que é “determinístico”.
Mas a ideia é simples.
Pensa sempre no resultado da atividade.
Você pode ter uma pessoa fazendo uma tarefa.
Você pode ter uma automação fazendo essa tarefa.
Ou você pode ter uma IA fazendo essa tarefa.
A pergunta é: qual dessas opções entrega o melhor resultado?
Agora vem uma regra simples que vai te ajudar muito.
Olha para o tipo de resultado que você espera.
Se o resultado precisa ser exato, sempre igual, sem variação, a automação é melhor.
Por exemplo, uma soma.
Se você quer somar dois números, você pode pedir para uma pessoa fazer isso.
Pode pedir para uma IA.
Ou pode usar uma automação.
Quem vai acertar sempre é a automação.
Porque a automação foi feita para executar exatamente aquilo, sem variação.
Agora pensa de outra forma.
Se você pegar esse mesmo problema e entregar para 100 pessoas, todas vão te dar exatamente o mesmo resultado.
Isso é um sinal claro de que esse problema é determinístico.
E, nesse tipo de problema, automação ganha.
Agora vamos para outro tipo de problema.
Imagina que você pede para 100 pessoas imaginarem e desenharem um cachorro.
Cada uma vai desenhar de um jeito.
E, ainda assim, todos os desenhos podem estar certos.
Ou então, você pede 100 poesias.
Você vai receber 100 respostas diferentes.
E muitas delas vão ser boas.
Aqui, o resultado considerado correto não é único.
Ele é variável.
E é exatamente aqui que a inteligência artificial entra melhor do que a automação.
Porque a IA trabalha bem com esse tipo de problema onde existem múltiplas respostas possíveis.
Onde o resultado não precisa ser perfeito, mas precisa ser bom o suficiente.
Então, simplificando:
Se o problema tem uma única resposta correta, você provavelmente quer automação.
Se o problema aceita várias respostas boas, você provavelmente quer inteligência artificial.
Entender isso muda completamente a forma como você usa tecnologia.
E, para deixar isso ainda mais claro, eu vou te mostrar um caso real.