Falhas e erros
Existe um ditado famoso que diz que errar é humano.
Agora que começamos a replicar partes do raciocínio humano em componentes eletrônicos, talvez seja hora de atualizar esse ditado.
Errar é humano. E também é IA.
A inteligência artificial erra. E vai continuar errando.
Assim como pessoas erram, agentes de IA também erram. Isso não é um detalhe. Isso é parte da natureza do sistema.
O ponto importante aqui é que o gestor maduro não trabalha partindo da fantasia de que vai encontrar alguém que nunca erra.
Nenhum gestor experiente monta uma equipe esperando perfeição absoluta de cada funcionário. O trabalho de gestão nunca foi esse.
O trabalho de gestão é lidar com o imperfeito. É extrair resultado de sistemas imperfeitos. É reduzir a chance de erro, diminuir o impacto do erro e criar mecanismos para que certos erros não passem.
Com pessoas, fazemos isso o tempo todo.
Criamos processos. Criamos revisões. Criamos checklists. Criamos redundâncias. Criamos aprovações em dupla. Criamos validações para tarefas mais críticas.
Em atividades de baixo risco, aceitamos uma margem maior de erro. Em atividades de alto risco, aumentamos controle, supervisão e conferência.
É assim que lidamos com estagiários, analistas, coordenadores, gerentes e diretores. Não porque eles sejam incapazes, mas porque todo trabalho humano carrega falha potencial.
Com a IA, a lógica é a mesma.
Você não precisa de uma IA que nunca erre. Você precisa entender como ela erra, onde ela erra, com que frequência ela erra e qual o custo desse erro.
A partir daí, você monta o sistema em volta dela.
Em alguns casos, isso significa deixar a IA trabalhar sozinha. Em outros, significa colocar uma validação automática depois da resposta. Em outros, significa colocar uma pessoa revisando. Em outros, significa simplesmente não usar IA naquela etapa.
Esse é o ponto central.
O problema não é a IA errar. O problema é você montar um sistema que não sabe lidar com o erro da IA.
Da mesma forma que um gerente revisa o trabalho de um estagiário em tarefas mais delicadas, você também pode criar camadas de revisão para agentes.
Essa revisão pode ser:
- Uma automação
- Outro agente
- Uma regra de sistema
- Ou um humano
Tudo depende do risco envolvido.
Quanto mais crítico o erro, menos você confia em uma única camada. Quanto mais barato e reversível o erro, mais autonomia você pode dar.
Gerir pessoas é gerir o imperfeito. Gerir IA também.
A lógica não muda. O que muda é a natureza da imperfeição.
No ser humano, o erro pode vir de distração, cansaço, ego, pressa, medo, desorganização ou desconhecimento. Na IA, o erro pode vir de falta de contexto, padrão enviesado, interpretação ruim, limitação do modelo ou simplesmente geração incorreta.
Mas, nos dois casos, a resposta gerencial é parecida.
Você não combate o erro com esperança. Você combate o erro com processo.